Efeito
Sanfona |
O
mundo tem um bilhão de pessoas acima do peso.
Milhões delas estão, neste momento, começando
uma dieta. Milhares vão conseguir emagrecer.
Mas só algumas vão permanecer magras por
mais de um ano. "Hoje eu acordei muito triste, pela luta que é esse negócio que é a obesidade na minha vida. Eu não tenho um dia de descanso. Se ontem eu comi, hoje eu pago por isso. É uma luta diária de todos os meus irmãos para manter peso. Temos facilidade para engordar", conta ela. Desde
criança ela sofre com o excesso de peso. "Existia
uma brincadeira entre as irmãs. Nós éramos
três irmãs: eu, a Eliete e a Eloá.
E a brincadeira era assim: cobra, jacaré e elefante.
Adivinha quem era o elefante? Alguma dúvida?". Se
a criança come muito - e come mal - estas células
incham. Elas chegam a ficar seis vezes maiores do que
o tamanho original. Quando estão cheias, elas
se dividem, duplicando os depósitos gordurosos.
Um adulto obeso pode ter até cem bilhões
de células de gordura. Entre o desejo de ser magra e a realidade da balança, existe a comida. Edeli
trabalha no restaurante do irmão e vive cercada
de tentações. "É. Hoje é. É a aceitação do meu corpo", responde Edeli. Na busca desenfreada por um corpo magro, Edeli investe em todos os tipos de dieta. "Eu fiz a do Dr. Atkins, eu fiz a de Beverly Hills, eu fiz a de South Beach. Acho que eu já fiz umas 15, 20 dietas. Eu vivo em dieta. Essa semana, eu comecei a fazer a dieta da sopa", conta ela. Isto é vida de "cachorro". Primeiro
dia "Ontem eu me pesei, comecei a dieta com
84,9 quilos. Então assim eu almocei só
sopa de legumes, só legumes, não tem um
caldinho gostosinho, nada". Essas
dietas restritivas, com um número insignificante
de calorias, funcionam no dia-a-dia ou não? Quem faz regime - qualquer um - sempre emagrece. O problema começa aí. Como manter o peso? Sim, porque ninguém consegue, e nem agüenta, passar a vida tomando só sopa, ou comendo só atum e meia uva. Com muita fome, a pessoa acaba mesmo assaltando a geladeira. "Eu tava morrendo de fome, aí pedi um prato de espagueti ao sugo com manjericão. Aí, mais tarde eu cheguei em casa, tinha pizza. E aí ela olhou pra mim, eu olhei pra ela, ela olhou pra mim e a gente se entendeu e comi um pedaço de pizza, além de tudo também, né?" Tem uma constante nessas dietas todas. É que você faz durante um tempo e um dia pára e não consegue manter. "Isso aconteceu com todas elas", revela Edeli. E aí, a balança é implacável. Aquele ataque à pizza gelada de madrugada é punido com um aumento imediato de peso. "Ontem eu me pesei e estava com um quilo a mais", revela Edeli. Pronto: todo o sacrifício foi inútil. "É o músculo, é a gordura, é o metabolismo, é todo o sistema orgânico que vai querer fazer você engordar de novo", avisa Alfredo Halpern. Lembra da célula de gordura? Quando você faz dieta e diminui o número de calorias nas refeições, as células de gordura não morrem, só encolhem. Elas "murcham". O cérebro interpreta este "encolhimento" como uma ameaça à integridade do organismo. E o que acontece? O organismo começa a queimar menos energia. O metabolismo fica mais lento. Ou seja, emagrece de faz de conta. É que o corpo, com medo de perder gordura - você lembra que foi a gordura que garantiu nossa permanência como espécie - passa a trabalhar mais devagar. A gastar menos energia para fazer nossos órgãos funcionarem. "O teu organismo começa a queimar menos calorias. Uma perda de dez quilos representa 200 calorias a menos que você queima. Para cada dez quilos que você perde o seu corpo começa a gastar menos 200 calorias por dia", exemplifica Halpern. É
uma conspiração do corpo para fazer o
peso voltar ao que era antes da dieta. Esse é
que é o efeito sanfona. Porque o cérebro
tende a manter o maior peso que você já
adquiriu. É preciso que ele passe muitos anos
numa determinada faixa de peso pra ele se adaptar a
esse novo peso. È o que se chama de tempo de redução, e tempo igual de manutenção. |